Família busca por mulher desaparecida há 2 meses em Campina Grande/PB

Share:

“Vovó, a mamãe morreu”, repete a menina de apenas 3 anos cuja mãe está desaparecida há dois meses, em Campina Grande, no Agreste paraibano. A família já procurou informações nos locais que Sabrina Jussara costumava frequentar, ligou para hospitais e até o Instituto Médico Legal (IML) da cidade, mas o paradeiro da jovem permanece um mistério. A falta de um desfecho para o desaparecimento provoca sentimentos de aflição e angústia nos familiares pelas incertezas sobre o que pode ter acontecido.

Usuária de drogas e com passagens pela polícia, Sabrina costumava ficar até 15 dias ausente de casa e sem dar notícias. “Ela entrou na vida de vício em drogas com cocaína, mas disse à mãe que tinha saído e que estava só na maconha. Já passou dias fora da casa da mãe dela, mas sempre aparecia na da avó e na minha também”, revela a prima Karla Nunes Souza. Quando a jovem não retornou por uma última vez, como era esperado, a preocupação foi ganhando forma.

Pouco antes de desaparecer, Sabrina foi agredida fisicamente por alguém que ela não identificou, por medo ou vergonha de denunciar as agressões sofridas. “Chegou ensanguentada, machucada, e não disse quem foi. Alguém bateu nela”, relata Karla. E como toda narrativa de violência é precedida por um corpo que carrega cicatrizes, a dela não seria uma exceção. Em 2018, ainda segundo a prima, Sabrina ficou em coma após ser agredida. “Um carro chegou em frente ao Hospital de Trauma e deixou ela jogada lá, sem documentação. Bateram nela, quebraram os dentes dela. Ficou de 3 a 5 dias em coma. Só conseguiram identificar porque ela acordou e lembrou do próprio nome”.

Dessa vez, porém, nenhuma informação concreta sobre o paradeiro de Sabrina. Em uma das buscas realizadas pela família em uma feira, disseram que ela havia viajado para a capital João Pessoa acompanhada de um rapaz, fato que nunca foi comprovado. Enquanto as respostas não chegam, a avó, a mãe e a filha de Sabrina, unidas pelos laços da ausência, ressignificam a dor de ter um ente querido desaparecido. “A mãe dela está entrando em depressão, não queria nem sair da cama. Já a avó é hipertensa e diabética, e está sofrendo muito”, conta a prima.

Apesar de tudo, os familiares não procuraram a Polícia Civil para registrar o sumiço de Sabrina. “Será que a polícia vai fazer alguma coisa?”, pergunta-se a mãe da jovem enquanto reflete sobre a vida pregressa dela. A prima Karla não soube informar os antecedentes criminais de Sabrina, mas relatou que ela foi presa e até internada em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, de onde fugiu depois de um tempo. As lacunas que acompanham sua história encontram raízes na relação que desenvolveu com a família desde que entrou no mundo das drogas. “Ela não falava muito sobre as coisas que aconteciam porque somos de uma família evangélica, tradicional. Não compactuamos”, declarou a prima.

ELA FOI PARA O CÉU

Desde o desaparecimento de Sabrina, a filha dela, de apenas 3 anos de idade, está sob os cuidados dos avós maternos. A identidade do pai da criança é desconhecida pela família. “Ela contava duas versões: ora que o pai havia morrido, ora que ele era um homem com idade avançada e que morava no bairro José Pinheiro. Não sabemos dizer qual é a verdadeira”, explica Karla.

Ainda segundo a prima, Sabrina não compartilhava informações sobre seus relacionamentos amorosos. “Fazia muito tempo que ela estava sozinha. A gente não sabia se ficava com alguém”, destaca.

“Vovó, a mamãe morreu”, repete mais uma vez a menina. E repete aquelas mesmas palavras até encontrar alguma espécie de conforto para aliviar o sofrimento que ainda não compreende, mas que sente com toda a força do seu sentir. Na busca para atribuir sentido à ausência, os familiares lhe entregaram um desfecho situado entre a possibilidade poética e a esperança da fé: “ela foi para o céu, ela foi para o céu”.

MARCIO RANGEL